A pergunta parece simples. A resposta quase sempre vem cercada da mesma frase: “se você está indicando, eu confio de olhos fechados.”
É aí que a indicação para de ser um favor entre conhecidos e vira outra coisa. Quando alguém aceita uma recomendação por confiar em quem recomenda, uma parte da reputação de quem indica vai junto, mesmo que o nome dela não apareça em lugar nenhum do contrato.
No trabalho de reputação e crise que a Hipertexto acompanha há quase 30 anos, um padrão se repete: a indicação malfeita raramente explode na hora.
Ela cobra a conta meses depois, quando o profissional recomendado decepciona e alguém pergunta “mas quem indicou foi você, não foi?”. Nesse momento, não importa que a indicação tenha sido feita de boa fé. O que fica é a pergunta sem resposta boa.
O risco não é indicar errado uma vez. É indicar automático, por pedido, por insistência, por não saber dizer “não conheço o trabalho o suficiente para recomendar”.
Quem construiu credibilidade ao longo de anos deveria se lembrar que a própria palavra tem preço. E o que tem preço não pode circular de graça.
Uma boa indicação abre portas que o caminho tradicional não abriria. Aproxima quem precisa de solução de quem entrega. Isso é real e vale a pena. É também parte do motivo de existirem redes profissionais fortes em qualquer setor. Mas o gesto só vale alguma coisa se exigir memória do que essa pessoa realmente entrega, não da lembrança de que ela é simpática ou estava por perto.
Antes de dizer “eu indico”, vale perguntar: das últimas indicações feitas, quantas você faria de novo, sabendo o que sabe hoje?
Nem sempre a resposta é confortável.
Duas perguntas antes do formulário: qual é o seu setor e qual é o problema que você quer resolver.