Como se calcula o preço de um afeto?
Em fóruns, grupos de mensagens e redes sociais, brinquedos antigos reaparecem com frequência.
Alguns perderam peças. Outros carregam riscos, manchas e sinais de uma infância que passou por eles sem delicadeza. Ainda assim, chegam ao mercado por valores muito superiores aos de brinquedos recém-lançados.
Há quem diga que os antigos eram mais resistentes, mais bem-feitos, preparados para durar.
Pode existir alguma verdade nisso. Só que a qualidade do material explica apenas parte do preço. O restante pertence a uma contabilidade muito mais difícil de registrar.
A boneca parecida com a que ficava na casa da avó. O carrinho que o pai comprou depois de meses de esforço. O brinquedo que agora alguém procura para entregar ao próprio filho, como se fosse possível colocar nas mãos dele um pequeno pedaço da infância que viveu.
Esses objetos não se valorizaram apenas porque se tornaram raros. Tornaram-se valiosos porque foram envolvidos pelo afeto. O tempo retirou deles o brilho da embalagem e acrescentou algo que uma fábrica não consegue produzir em série: significado.
Quem compra um brinquedo antigo raramente leva apenas plástico, tecido ou metal. Leva uma lembrança, uma tentativa de reencontrar uma casa, uma voz, uma presença ou uma versão de si mesmo que já não existe da mesma forma.
Talvez seja esse um dos grandes enigmas do valor. Há coisas que custam pelo que são. Outras, pelo que nos fazem lembrar.
Na comunicação corporativa, também construímos essa camada invisível. Marcas, quando compreendem a dimensão dos vínculos, ocupam um espaço na memória.
A estratégia deixa de tratar apenas de venda e passa a tratar de permanência. Qual sentimento acompanha a experiência oferecida?
O cliente se recorda apenas do contrato, do prazo e da entrega ou também da atenção recebida quando algo saiu do esperado?
Toda relação de longo prazo deixa vestígios. Alguns desaparecem assim que a transação termina. Outros permeiam os anos, como aquele brinquedo antigo que alguém ainda procura, mesmo arranhado, incompleto e sem caixa.
Qual memória o seu produto, o seu serviço e a sua marca têm deixado?
Duas perguntas antes do formulário: qual é o seu setor e qual é o problema que você quer resolver.