Seu avô faz storytelling sem Power BI e sem enrolação

Quem nunca viu um avô ou uma avó transformar uma reunião de família em um espetáculo? Bastava começar a contar uma história – de aventura, de amor, de tragédia ou de superação – para todos se calarem, prestando atenção em cada detalhe. O que eles faziam, sem nem perceber, era uma aula prática de storytelling.

A comunicação, assim como muitas áreas, adora importar termos e conceitos para facilitar explicações. Mas muitas vezes, isso só cria barreiras. Pergunte a qualquer avô o que ele sabe sobre storytelling e a resposta provavelmente será um olhar curioso, como quem não entende a pergunta. Agora, experimente dizer que storytelling é simplesmente a arte de contar histórias para emocionar, ensinar e influenciar. Ele, então, vai se lembrar das rodas de conversa no quintal e dos casos que passavam de geração em geração.

Storytelling não nasceu no marketing, no cinema ou na publicidade. Sempre esteve presente no jeito humano de se comunicar. A diferença é que, hoje, estruturamos melhor essas narrativas, damos nomes sofisticados às técnicas e aplicamos tudo isso estrategicamente para construir marcas, conectar audiências e influenciar percepções.

Mas a verdade é que os elementos essenciais do storytelling – aqueles que aprendemos em livros e cursos – já estavam naquelas histórias contadas ao pé de um fogão a lenha. Quem nunca ouviu uma “jornada do heroi” narrada por um avô que veio de longe em busca de uma vida melhor? 

Sobreposição de narrativas? Estava lá, quando histórias se entrelaçavam e revelavam conexões inesperadas entre personagens. Sparklines? Quando a nostalgia de um tempo passado contrastava com o presente, criando emoção e engajamento. In media res? Aquele avô que começava a história já no meio da ação, prendendo a atenção desde a primeira frase. Convergência de ideias? Cada história tinha um propósito, uma lição, um insight que ficava na memória.

Nossos avós não chamavam isso de storytelling. Eles chamavam de vida. E talvez essa seja a lição mais valiosa: boas histórias não precisam de jargões. Precisam de alma, de verdade e de conexão. Precisam de vida.

❤️ O quanto de vida você tem colocado nas suas histórias?