“Não era bem isso que eu queria dizer” e o preço da boa intenção

Midas desejava apenas riqueza, mas acabou colhendo solidão. Ao pedir que tudo o que tocasse se transformasse em ouro, ele não imaginava que, entre os presentes de seu desejo, estaria sua própria filha. A intenção de enriquecê-lo se transformou em tragédia. Da Grécia Antiga ao século 21, muitos ainda insistem em ignorar uma verdade: comunicação não é o que você fala, mas o que o outro entende.

Recentemente, outro episódio infeliz ilustrou bem essa dinâmica. O presidente da Conmebol, ao ser questionado sobre o impacto de uma possível ausência dos clubes brasileiros na Libertadores, afirmou: “Isso seria como Tarzan sem Chita. Impossível”. O contexto? Uma crise sobre racismo. A intenção? Pouco importa. O impacto? Instantâneo. O estrago? Feito. Depois vieram as desculpas – mas de boas intenções… o inferno segue lotado.

Não há espaço para lamentações e choramingos após o erro. Explicações que chegam depois soam como uma tentativa de remendar o que já foi irremediavelmente danificado. O público, seu público, já formou uma opinião. E essa opinião não se baseia no que você quis dizer, mas no que foi entendido.

Por isso, a grande pergunta que todo líder, gestor ou porta-voz deveria se fazer antes de abrir a boca é: como isso pode ser interpretado? Essa é uma questão simples, mas que vale mais que ouro.

Comunicação eficaz é aquela sem margem para ruídos, que antecipa cenários, considera a sensibilidade do outro e evita ambiguidades que possam gerar mal-entendidos.

Na sua rotina, faça valer a máxima: uma vez ditas, as palavras deixam de pertencer a quem as falou. Elas ganham vida própria e se espalham.