Dom Quixote olhava para o horizonte e enxergava gigantes onde havia pás girando ao vento. Em muitas entrevistas, percebemos algo parecido acontecer com bons especialistas: antes mesmo da primeira pergunta, eles já imaginam o jornalista avançando sobre territórios desconhecidos, exigindo respostas para tudo.
– E se eu não souber?
– E se ele perguntar algo que eu não domino?
Acredite: ninguém espera que você seja uma inteligência artificial, um buscador ou, para os mais antigos, uma Barsa ambulante. Narrar o fato faz parte do ofício do jornalista. Já do especialista, espera-se algo diferente: interpretação.
Claro que ela precisa vir acompanhada de conhecimento, experiência e embasamento. Ainda assim, deter informações deixou de ser privilégio de poucos. Dados estão disponíveis, notícias circulam e pesquisas podem ser encontradas em segundos.
O que não aparece tão facilmente em uma busca é a leitura de quem conhece determinado assunto por dentro.
Você não precisa saber sobre tudo, muito menos ter opinião sobre todas as pautas do noticiário.
O que se espera de um bom especialista, na verdade, é que ele consiga reconhecer os limites da própria área e, dentro deles, ter coragem, capacidade técnica e clareza para dizer: diante desse fato, é isso que observo, é assim que interpreto, é aqui que enxergo o risco ou a oportunidade.
Um especialista não se torna relevante por carregar um oceano de informações rasas, e sim quando consegue transformar conhecimento em ponto de vista, contexto e compreensão.
Antes da próxima entrevista, portanto, vale olhar outra vez para o horizonte.Talvez, aquele dragão enorme seja apenas um moinho esperando uma boa conversa.
Duas perguntas antes do formulário: qual é o seu setor e qual é o problema que você quer resolver.