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Acho que sua avó te deu muita “água de janeiro”

Tem gente que torce o nariz para as chuvas de janeiro, ainda mais quando caem no primeiro dia do ano. Alegam atrapalhar férias, viagens, planos de praia, mas há quem espere ansiosamente por elas.

Segundo a tradição popular, a água da primeira chuva de janeiro é remédio para crianças que demoram a falar. Aqui, vale um alerta dos avós: “E olha… se vier com trovoada, aí é que faz efeito mesmo, viu? Mas não vai abusar, não…”.

A lenda é simpática, e talvez explique o comportamento de alguns porta-vozes: teriam eles tomado demais das águas de janeiro?

Falam sem filtro, comentam o que não dominam, respondem antes de entender a pergunta e, pior, às vezes inventam. E aí, em vez de fortalecer a reputação da marca, abrem espaço para ruídos, interpretações equivocadas e, não raro, crises que nascem de bobagens.

O porta-voz é o rosto e a voz de uma organização. Sua função não é preencher silêncios com opiniões improvisadas, mas representar com clareza, segurança e alinhamento. Em comunicação, falar demais pode ser um sintoma de despreparo.

Antes de conceder entrevistas, participar de painéis ou gravar vídeos, vale lembrar: nem toda pergunta exige resposta imediata, nem toda resposta precisa ser pública. Às vezes, o silêncio bem administrado protege mais que qualquer fala apressada.

A água de janeiro pode até ajudar crianças a falar, mas, no mundo corporativo, saber responder o necessário continua sendo o melhor antídoto contra tempestades.