Existe uma diferença importante entre ter convicções políticas e transformar essas convicções em posicionamento público enquanto liderança empresarial.
Nas eleições, muitos executivos fazem declarações de apoio por acreditar que estão ocupando apenas um espaço pessoal. O problema é que a reputação raramente respeita essa divisão. Para boa parte da sociedade, a fala do executivo carrega junto a empresa, a cultura, as relações institucionais e até a percepção de futuro daquele negócio.
Os estudos recentes da Edelman Trust Barometer mostram um cenário delicado: as pessoas esperam posicionamento das lideranças, mas também estão mais desconfiadas, mais sensíveis à incoerência e mais rápidas em transformar percepção em julgamento público. Nesse ambiente, apoio político não produz apenas identificação. Produz leitura reputacional.
Antes de declarar apoio a um candidato, existem algumas perguntas que precisam anteceder a postagem da foto ou do vídeo.
A velocidade das redes criou uma sensação perigosa de que reputação se constrói no impacto imediato. Só que a reputação séria raramente nasce do impulso. Ela nasce de uma reflexão profunda sobre sustentar coerência ao longo do tempo.
Em períodos eleitorais, isso fica ainda mais sensível. Porque, depois que uma liderança escolhe um lado publicamente, boa parte das suas decisões futuras passam a ser interpretadas por meio dessa lente. O mercado observa, a imprensa faz conexão e as pessoas lembram.
Posicionamento político pode ser legítimo, porém antes dele é preciso existir a consciência reputacional.
Porque a eleição termina, mas o print permanece.
Duas perguntas antes do formulário: qual é o seu setor e qual é o problema que você quer resolver.